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A América Latina detém a maior biodiversidade do planeta, as maiores reservas de água doce do mundo.
É rica em minérios, abriga as maiores florestas tropicais, extensos litorais paradisíacos, solo e climas diversificados, que garantem o vigor da produção agropecuária nos 365 dias do ano.
Construímos na América Latina a nossa cultura americana árabe, agregando valor à cultura miscigenada dos povos latino-americanos. O carisma, a vontade de trabalhar, a diplomacia e nossa maneira de ser deram
a nós, árabes e descendentes, uma vantagem comparativa para negociar e realizar parcerias.
É esse exemplo de integração que nos dá a certeza de que só com o apoio, a união dos vários países,
árabes em especial, nos investimentos, parcerias, joint-ventures é que sairemos da servidão financeira
que nos é imposta por um modelo econômico degradador e desumano pelos países ditos desenvolvidos.
Não faz sentido que os recursos obtidos pela exploração do petróleo árabe funcionem como lastro para o sistema financeiro que hoje os bombardeia.
Contra o capital excludente somente um novo capital inclusivo.
Contra uma globalização que tenta extorquir nossos recursos naturais e estratégicos, somente uma nova globalização cultural, inter-racial e inter-religiosa.
A América Latina possui todos os recursos naturais estratégicos que os países desenvolvidos necessitam para produzir bens de consumo na indústria, comércio e serviços. O Brasil tem posição estratégica na América Latina por sua dimensão continental, miscigenação e por concentrar o sistema financeiro do continente.
O mundo árabe tem sua economia centrada nos recursos energéticos não renováveis, um “privilégio”
pago com milhares e milhares de vidas. Faz-se estratégico e vital migrar para a energia renovável, com todo
conhecimento e tecnologia acumulados ao longo de décadas por aqueles produtores de petróleo.
Por não ter água o mundo árabe não consegue produzir o que consome, nem gerar excedentes para exportação. Por isso é franco comprador de mercadorias in natura e industrializadas.
Infelizmente, pouco exportamos em linha reta para o mundo árabe, pois as rotas de comercialização ou foram reduzidas ou foram fechadas para os países em desenvolvimento. Produzimos laranja no Brasil, exportamos in natura ou suco para a Itália, onde é reprocessada e embalada com a marca "made in Italy" e reexportada
para os países árabes. Assim, ficamos com todos os riscos de produção, custos de financiamento, encargos e tributos, enquanto as indústrias estrangeiras ficam com a parte gorda dos lucros.
Temos fortes laços culturais que, se aliados à capacidade e desenvolvimento de tecnologias, poderiam se traduzir em grandes operações de trocas entre os países árabes com um intercâmbio e, conseqüentemente, aquecer as economias árabe e latino-americanas.
Os fundos islâmicos não aplicam em juros, mas podem muito bem financiar a produção de longo prazo, desde
que tenhamos também nesses contratos, a contrapartida dos investimentos de base em educação, saúde, agricultura, ciência, cultura, cooperativas de produção, entre outros.
Estudar uma estratégia para as rotas marítimas e aéreas é imprescindível para que as relações entre o Oriente Médio e América Latina se fortaleçam e intensifiquem, com ganhos para os dois lados.
No âmbito nacional e continental, é vital que parcerias e acordos garantam a preservação e o uso público e social das bacias hidrográficas e águas subterrâneas transfronteiriças. Trata-se não só de uma questão ambiental e social, mas de soberania e segurança internacional. A crise hídrica mundial que se prenuncia pode transformar o ora pacífico continente no cenário de disputas cruentas como as que têm lugar hoje no Oriente Médio.
Outro aspecto importante é aprofundar o estudo crítico das questões intrínsecas do Protocolo de Kyoto, recomendando cautela com negócios nos mecanismos de desenvolvimento limpo. O estabelecimento do
mercado de carbono, através de créditos compensatórios, simplesmente reproduz o modelo econômico que é alvo de nossas críticas.
A alternativa é a estruturação de uma rede de investimentos, parcerias e comercialização, que garanta o monitoramento, a fiscalização e a orientação de negócios e projetos sócio-ambientais.
Para debater esta questão na América Latina criamos o Projeto RECOs – Redes de Cooperação Comunitária, que têm como objetivos o intercâmbio de experiências, a promoção e fomento da produção de bens e
serviços das comunidades regionais. O projeto atende às reivindicações da Agenda 21 – Pense Globalmente e Aja Localmente, com a implantação da responsabilidade social empresarial, comércio justo e sustentabilidade
em diversos programas educacionais.
Estes são, em resumo, os principais pontos do pronunciamento elaborado por Amyra El Khalili, Eduardo Felício Elias e Além Garcia e encaminhado por Claude Fahd Hajjar ao Primeiro Congresso Fearab América-Liga de Estados Árabes, realizado no Cairo, Egito, entre 10 e 12 de julho deste ano. Esperamos que sirvam de
ponto de partida para um amplo debate sobre o futuro deste nosso planeta.
Fontes:
Entrevista por Sandro C. Cardelíquio com Amyra El Khalili - Água e Petróleo, a mesma moeda - para a Revista Eco Spy - Ano 2, n. 07 - Novembro/2006. Editora Risc. www.ecospy.com.br (nas bancas)
Entrevista por Soraya Misleh para a Revista Al Urubat - Sociedade Beneficiente Muçulmana de São Paulo. Novembro de 2006. (no prelo). www.sbmsp.org.sp
El Khalili, Amyra. Água e Petrolélo, a mesma moeda. Seção Em debate. Revista ComCiência. Edição Novembro 2006. www.casalatina.com.br
El Khalili, Amyra. Água e Petróleo, a mesma moeda. Revista do Meio Ambiente. Edição n. 03. Ano 2006.
Outubro de 2006. www.portaldomeioambiente.org.br
El Khalili, Amyra. Água e Petróleo, a mesma moeda. Site: Funverde
http://www.funverde.org.br/mostrar_noticias.php?codigo=206
El Khalili, Amyra. Água e Petróleo, a mesma moeda. Site: Polo Nacional de Biocombustíveis- ESALQ/USP
http://www.polobio.esalq.usp.br
El Khalili, Amyra. "Água e Petróleo, a mesma moeda". Revista Digital Envolverde: http://www.envolverde.com.br/?materia=25233
El Khalili, Amyra. Agua y petróleo, la misma moneda. Tradução por Alejandro Ratti para RECO-SIMAAS
Red de Cooperación Comunitaria Brasil – América Área Sur. 23 de Novembro de 2006.
El Khalili, Amyra. "Agua y petróleo, la misma moneda". Site Alta Política Argentina
www.altapolitica.com
El Khalili, Amyra. Elias, Eduardo Felicio. Garcia, Além. Boletim 0999 [BECE REBIA] CÚPULA DO CAIRO:
FEARAB - Federação das Entidades Árabes Americanas e LIGA DOS ESTADOS ÁRABES. Pronunciamento encaminhado por Claude Fahd Hajjar ao Primeiro Congresso Fearab América-Liga de Estados Árabes, realizado no Cairo, Egito, entre 10 e 12 de julho de 2006.(Documento BECE). 06 de Agosto de 2006.
Matheron, Lucas. Boletim 1010 [BECE REBIA] Desde França-Bruxelas: CÚPULA DO CAIRO- Fearab
América e Liga dos Estados Arabes. Por Lucas Matheron em Cyberação com países francofonos (língua francesa) (Documento BECE). 15 de Setembro de 2006.
Oludé, Inêz. Boletim 1007 [BECE REBIA] Desde Bruxelas-Bélgica: Entrevista por Inêz Oludé com Amyra El
Khalili - Ilha da Madeira, região irmã da Amazônia para Magazine/ Revista Brazil na Europa. 03 de Setembro de 2006. http://brazilnaeuropa.org .
Amyra El Khalili* é economista, presidente do Projeto BECE (sigla em inglês) Bolsa Brasileira de Commodities Ambientais. É também fundadora e co-editora da
Rede Internacional BECE-REBIA (www.bece.org.br), membro do Conselho Gestor da REBIA - Rede
Brasileira de Informação Ambiental, do Conselho Editorial do Portal do Meio Ambiente (www.portaldomeioambiente.org.br)
e da Revista do Meio Ambiente (www.rebia.org.br). Indicada para o "Prêmio 1000 Mulheres para o Nobel da Paz" e para o Prêmio Bertha Lutz. email: (ongcta@terra.com.br)
Rede Brasileira de Informação Ambiental - domingo, 3 de dezembro de 2006 18:18
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